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Fogo na nova cidade

Eu andava
Mas agora fujo
Via os prédios reluzirem
Observo sua desgraça nesse dia

Lembra-te do futuro
O novo empreendimento
Majestoso, majestade cidade
Reduzida a simples cinzas

Estou aqui, no fim
E que agora é um (novo) começo
Tantos meios perdidos
Uma crença perdida
Uma civilização perdida

Mas sim, o fogo consumiu
Tudo o que não construímos
Tudo o que não vivemos
Resta agora um coração perdido
E outro íntegro - o teu.

Essa jóia, tão bem trabalhada
Tornou-se excesso
Ocupou espaço demais
Sentimento que não tem palavras
Não há descrição

bsdaifgvjdkfdjkfvbhfhbgutcybchdwsnsomdsidshbchxnfjhbvfbvfuyvbir
ncunbeiwncieqwowobfveurcbufvbguhfrgmoxouhgurcmrcueiym8vf,ifvi
ndiusvnfdiubviuvuiwewbuoeriw remhgremmowve v rteg8remw rf8uge

Tinta que vai se esgotando,
Tornando-se dor
Tornando-se secura

fvur rnbir gjni jgnbgu irfgvj cv vfgb dff cdac  fvfa fd sdc cd sd a
_______________________________________________

Só nos restou a linha vazia
A primeira linha
De uma história
Que jamais será contada.



Sem estações

O dia pode estar lindo...
O Sol está floreando o dia
A brisa fresca está tentando me alegrar

Mas não
Tento te apagar
Tento respirar
Mas não consigo

Minha pele procura sentir
Mas não dá
As fotos de minhas mente
Escurecem
O fogo consome minhas imagens
De fora para dentro

E nada mais resta a não ser a brisa
A mesma que te trouxe a mim
E que agora procura afastar-me

A Maçã Descartável

Eu fui usado
Eu estou em uso
Eu serei abusado

O silêncio impera
Sagrado silêncio da razão
Enquanto nós os ouvimos

Nisso, meu amor próprio
Cai à guisa da gravidade
Piedosa irmã do silêncio
Como a maçã - essa de falsa beleza
Que da árvore cai.

Slim Sonet

Ah, como queria
Sentir teu toque carinhoso
Poder ser teu
Por apenas um segundo!

Essa vida fumacenta
Esses amigos baratos
Quero largar tudo isso e ter-te
Dominar-te nas cargas dos meus braços

Não, não há romance
É tudo uma fumaça densa
De gases pesados e nicotizados

Nunca fui visto
Apenas sou eu
Uma chaminé de nicotina

Sonho de uma Noite Quente

Estatísticas dizem
Que 90% dos jovens dormem mal
Que somos seres sedentos vagando pela noite

A luz da lua luzindo, alumiando meus olhos
Pobres olhos, pobre Lua
Corro sedento pelo nada e para a nada
Até que grito

Mas que é isso em meu encalço?
Que desgraça é essa que me acomete?

Não importa
Quero que me beijes
Quero ao menos um carinho
Estou tão cansado...

Um uivo no meio da noite
Um suspiro de minha dor
Vá, beija-me
Nem que seja na testa
Quero ser beijado
Por ti

Fecha para mim o pórtico para o inferno
Fecha, por favor
Meu anjo demoníaco
Minha perfeição maldosa

Só me beijes, só me cubra com teu corpo
Porque sinto o seu frio

Quem está batendo nas janelas?
Que arrepio é esse?
Será que vais levar-me?
Agora?

Mas, por favor, beija-me.
Antes de tudo, beija-me
Pois não aguento ver-te
E nada poder fazer

Fecha as janelas
E vem deitar-se comigo
E, suplico, dê um pouco de carinho
E um pequeno sorriso

Vá, acende o fósforo
E me beija
Mesmo que seja um sonho.

Espelhos quebrados

Meus olhos te veem
E isso me deixa louco
Te vejo em outra dimensão
E eu não posso te tocar, te ouvir, te falar
Só te adorar, à distância.

Quebro espelhos só para te trazer a mim
O que consigo, sangue e feridas.
No final, nem consigo mais te ver.

O que eu queria era ter-te ao meu lado
Mas o que me resta, agora,
É a tentativa de esquecer tua existência.

Um sorriso teu dentro de mim

Queria eu ter um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim queria eu ter um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim um sorriso teu dentro de mim queria eu ter.

Dentro de mim, um sorriso teu.
Mas isso, eu não posso ter.

Táxi para uma Menina

Veja só,
Você que sai de trem:
Tem gente que vai à luta de táxi.

Pega em casa,
Salta em frente ao serviço.
Hum, que confortável!
Ai, que delícia!

Quisera eu ser esse teu motorista, menina cadente
Para poder somente admirar a graça de teu sorriso.
Pelo menos uma vez a cada dia
Que fosses de táxi.

Lágrimas secas

A chuva caiu,
Molhou, estragou,
Mofou, consumiu
Tudo o que era permeável.

Pior foi o que a secura me trouxe.
Choro seco, lágrimas que escolheram não sair.
E fazer doer minha retina,
E congelar meu coração,
E queimar até minha alma.

Possibilidades casuais

E se pudesse te ter?
E se pudesse dizer tudo o que quisesse?
E se pudesse fazer o que penso nesse momento, nesse instante?
E se pudesse existir, só eu e você, sem ninguém por trás ou na minha frente?
E se pudesse, por uma só vez, ser-me para teu prazer?
E se pudesse te ver e ter o brilho da alegria nos meus olhos?
E se pudesse ver o mesmo em ti?
São possibilidades, diagramas de um programa irresoluto.
Respostas que jamais seriam encontradas
Na inconstância do seu olhar amendoado.
Talvez seja uma mentira o que vivo.
Uma metáfora do impossível.
No seu olhar amendoado.

A nuvem roxa

Vi,
E me viste.
Era Sol,
mas minha visão estava turva.
Turva de ti, turva de mim.
O Astro-Rei chegava a nós,
E eu ouvi seu clamor.
Ouvi o meu chamado.
Rimos, conversamos, lutamos contra o rei.
Fugimos dos guardas, juntos.
E eu olhei pra ti,
E eu olhei pra mim.
Disseste que não,
Mas meu coração diz que sim.
Dizes que era roxo o seu cabelo?
Ainda os acho avermelhados.
Avermelhados de calor,
Do fogo que não acendi.
E quando o Sol se pôs,
O que via era o roxo da tua existência.




O Amor é uma Loteria

Engraçado é quando você todas aquelas histórias inebriantes de amores intensos, de paixões arrebatadoras, de sentimentos puros de afeto extremo. Tudo lindo, tudo mamão com mel, água com açúcar. Perfeito seria se um dia participasse desse mundo multi colorido, onde um sorriso valesse mais do que ouro e as ações de Wall Street.
Mas não. Isso pode ser verdade com os outros, e agora, durante um tempo curto. Ou não. Bem, devo parar de avacalhar as paixões alheias. Também devo deixar de ter falsas expectativas. Nada é lindo como no amor na realidade. Aqueles beijos tórridos, aqueles amassos, aquela troca de afetos, fluidos, energias, peles, deverei esquecê-los.
Vinícius escrevia sobre o amor. Amorzinho, benzinho, gracinha, mãozinha, corpinho. Que lindo! Que bem! Que graça! As palavras dele  rejuvenescem, é uma água de flor de laranjeira no meu rosto, no meu corpo. Refresca o calor que há em meu ser. É um bálsamo, uma coragem para os tímidos apaixonados. "Que seja infinito enquanto dure a chama."
O fogo, porém, necessita de dois componentes para ser aceso. Com os dois, é possível fazer atrito, sai a faísca, a brasa leve e breve, o fogo, a fogueira, o fogaréu, o incêndio, o fim e as cinzas. Mas nada disso é possível sem o atrito, aquele bendito contato inicial, o início de todo o processo físico-químico. Sem a energia de ativação, as barreiras do amor são intransponíveis. 
Pobres daqueles que acreditaram naquelas lindas palavras.
Um dia, ouvi seus versos. Gostava muito de um certo alguém, mas não sabia se daria certo. Foi aí que decidi parar tudo e me jogar. Qual foi a minha surpresa ao ver que debaixo do precipício havia somente pedras? 
Doeu. Dói. O não é uma ciência, uma engenharia reversa. A quintessência da queda.
É assim que começo - das cinzas de um mestre do amor e do fogo não aceso - e sem saber onde tudo isso vai parar.


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