Vi,
E me viste.
Era Sol,
mas minha visão estava turva.
Turva de ti, turva de mim.
O Astro-Rei chegava a nós,
E eu ouvi seu clamor.
Ouvi o meu chamado.
Rimos, conversamos, lutamos contra o rei.
Fugimos dos guardas, juntos.
E eu olhei pra ti,
E eu olhei pra mim.
Disseste que não,
Mas meu coração diz que sim.
Dizes que era roxo o seu cabelo?
Ainda os acho avermelhados.
Avermelhados de calor,
Do fogo que não acendi.
E quando o Sol se pôs,
O que via era o roxo da tua existência.
O Amor é uma Loteria
Engraçado é quando você todas aquelas histórias inebriantes de amores intensos, de paixões arrebatadoras, de sentimentos puros de afeto extremo. Tudo lindo, tudo mamão com mel, água com açúcar. Perfeito seria se um dia participasse desse mundo multi colorido, onde um sorriso valesse mais do que ouro e as ações de Wall Street.
Mas não. Isso pode ser verdade com os outros, e agora, durante um tempo curto. Ou não. Bem, devo parar de avacalhar as paixões alheias. Também devo deixar de ter falsas expectativas. Nada é lindo como no amor na realidade. Aqueles beijos tórridos, aqueles amassos, aquela troca de afetos, fluidos, energias, peles, deverei esquecê-los.
Vinícius escrevia sobre o amor. Amorzinho, benzinho, gracinha, mãozinha, corpinho. Que lindo! Que bem! Que graça! As palavras dele rejuvenescem, é uma água de flor de laranjeira no meu rosto, no meu corpo. Refresca o calor que há em meu ser. É um bálsamo, uma coragem para os tímidos apaixonados. "Que seja infinito enquanto dure a chama."
O fogo, porém, necessita de dois componentes para ser aceso. Com os dois, é possível fazer atrito, sai a faísca, a brasa leve e breve, o fogo, a fogueira, o fogaréu, o incêndio, o fim e as cinzas. Mas nada disso é possível sem o atrito, aquele bendito contato inicial, o início de todo o processo físico-químico. Sem a energia de ativação, as barreiras do amor são intransponíveis.
Pobres daqueles que acreditaram naquelas lindas palavras.
Um dia, ouvi seus versos. Gostava muito de um certo alguém, mas não sabia se daria certo. Foi aí que decidi parar tudo e me jogar. Qual foi a minha surpresa ao ver que debaixo do precipício havia somente pedras?
Doeu. Dói. O não é uma ciência, uma engenharia reversa. A quintessência da queda.
É assim que começo - das cinzas de um mestre do amor e do fogo não aceso - e sem saber onde tudo isso vai parar.
Cirque des Horreurs
Se o Sol não queima
A chuva embolorece
Molha
Inunda
Mas crede, espectadores
Nem a tempestade
Nem o calor estelar
Será capaz de tirar
A feiúra de nossas mentes.
A chuva embolorece
Molha
Inunda
Mas crede, espectadores
Nem a tempestade
Nem o calor estelar
Será capaz de tirar
A feiúra de nossas mentes.
Relações Entrópicas
Quando vir que tudo anda mal
Tranquilize-se
Pois tudo um dia
Irá se explodir no seu caos interno.
Tranquilize-se
Pois tudo um dia
Irá se explodir no seu caos interno.
Aspirante a vivente
Ainda irei pra uma ilha
Onde poderei em paz
Contigo e com a natureza
Vida, me leve
Preciso olhar mais pra você
Quero ver o teu rosto
Quero ter tua boca,
Teu peito e teu corpo inteiro logo
Hoje, nesse continente
Milhões morrem doentes
Milhares reclamam porque têm conta bancária
Centenas reclamam de um defeitinho na roupa de grife
Dezenas se engasgam com escargot
E só um deseja tê-la - eu mesmo.
Porque não podemos andar como fomos feitos?
Quem sou eu?
Esse monte de fantasias são a minha anti-vida.
Ácidos e bases, pra quê infernizam minha boca?
Queimem-se na fogueira de água, coisas malditas
Reclamam da minha des-ciência?
Vida, queria tanto tê-la
Mas - e mais - tantos tecidos
Me afastam de ti, amor.
Onde poderei em paz
Contigo e com a natureza
Vida, me leve
Preciso olhar mais pra você
Quero ver o teu rosto
Quero ter tua boca,
Teu peito e teu corpo inteiro logo
Hoje, nesse continente
Milhões morrem doentes
Milhares reclamam porque têm conta bancária
Centenas reclamam de um defeitinho na roupa de grife
Dezenas se engasgam com escargot
E só um deseja tê-la - eu mesmo.
Porque não podemos andar como fomos feitos?
Quem sou eu?
Esse monte de fantasias são a minha anti-vida.
Ácidos e bases, pra quê infernizam minha boca?
Queimem-se na fogueira de água, coisas malditas
Reclamam da minha des-ciência?
Vida, queria tanto tê-la
Mas - e mais - tantos tecidos
Me afastam de ti, amor.
Um retorno
Sim, eu voltei. O tempo quis me castigar, mas estou de volta. Até quando eu não sobreviver.
Dias de Sanidade
A habilidade de voar foi valorizada
Mas voar é cair
Não há como sair do chão
É possível mergulhar, apenas
Imergir na profundez da mediocridade
Arrastando as correntes
Vamos vencendo
Com faces de derrotados
Com suspiros míseros
Com lágrimas pueris
Meu coração debate-se no peito
Ele quer sair, mas não pode
Observe aquele papagaio, menina
Dê o seu biscoitinho
Ele é feliz em sua mão
Mulher, jogue as sementes para o homem
Esse aí, que está na gaiola
Minhas brânquias não aguentam mais
Mergulhar nessa água
Tento ligar a tevê
Mas veja, ela sempre está ligada
O canal mostra a minha vida
E estou lá
Só assistindo
Ciente de tudo.
