Ferroso ou calcígeno,
Urticante ou saudável,
Áspero ou suave,
Doce ou amargo,
Salgado ou insosso,
Morder sempre.
A sensação de destruir
Aquele corpúsculo qualquer de comida,
Guloseima alucinógena,
Plantinha desconhecida,
Ou simplesmente um mero mordedor:
O que interessa é mordiscar.
Pela passagem do tempo,
Pela expiração que nos mata brandamente,
Pelos protozoários que nos corroem,
Pelos vírus que nos apodrecem,
Pela percepção de que é mentira o manifesto,
Por sabermos que nada somos e nada seremos,
Pela mulher que mal nos olha,
Pela menina que idiotamente se lança a nossos pés.
Somos selvagens,
Nossa sobrevivência depende da mordida.
Somos assassinos,
Precisamos morder tudo o que há na nossa frente.
Sabemos, pois, que o Amor ainda não é para todos,
Mas que podemos mordê-lo e arrancá-los os maiores pedaços.
Esse é o nosso maior prazer:
Mutilar com a boca o que mais amamos,
Tal qual o mais bruto dos jacarés do Nilo.
Tecnologia e Música
Engraçado perceber, quando menos se espera, alguns hábitos tão latentes e imperceptíveis em nós mesmos. O prazer dessa descoberta é, sem dúvida um dos maiores que se pode ter, assim como as revelações trazidas à tona. Nessas férias, em que pude, finalmente, espairecer ao menos um pouco, recuperar-me dos quase oniperesentes estafa e estresse, consegui reparar num costume muito comum de todo o mundo, certamente.
Desde as mais primevas eras, fazemos música, seja de que forma for. Em todas as sociedades antigas, houve a presença da música. Os iorubás, ashantis, bantos, zulus e outros povos africanos fizeram largo uso dos beribaus, as guitarras africanas, e dos atabaques, de todos os tamanhos; música pra eles era o mesmo do que se encontrar com a essência do seu passado, clamar pela luz necessária para, pelo menos, iluminar o árduo caminho por eles enfrentados e comunicar-se com suas divindades. Os árabes, persas e os hindus, tão dispersos pelas suas inúmeras tribos, califados e impérios, faziam música para entreter, mostrar a beleza e exuberância de suas sociedades e criar uma identidade própria, uma marca que os diferenciaria. Os japoneses procuravam o prazer e o deleite proporcionados pelo Nirvana, com seus singelos tambores e instrumentos de corda. Os nativos americanos procuravam glorificar a exuberante natureza que os cercava, coisa que até hoje poucos compreendem tão bem quanto eles. Os europeus, por sua vez, punham sua história, seu pensamento, sua busca por Deus ou por algo equivalente em suas canções.
Exemplos, logo, é o que não faltam; ao contrário, sobram aos montes. O mundo, porém, desenvolve-se e com isso, surgem novas formas de se fazer música. Primeiro, a lógica invadiu esse âmbito da arte humana, trazendo consigo a exatidão do ritmo, do tom, das notas musicais, da temporização. Mais um pouco depois, a acústica invadiu esse campo, tornando capaz a fabricação e criação de novos instrumentos musicais, além de possibilitar uma melhor orquestração da mesma. Após isso, a elétrica e a eletrônica entraram em ação, tornando os instrumentos mais potentes e os amplificadores que permitem uma melhor divulgação do som musicado. Com a globalização, finalmente, foi possível transformar a música em bites e transportá-la pela internet, permitindo um melhor conhecimento dessa arte de todos nós.
Voltando às minhas próprias férias, quando possuo um maior tempo, fico fazendo dowloads de músicas, da mais comum à mais inusitadas e exóticas, em especial desses dois últimos tipos. Tenho prazer pelo desconhecido e busco construir a minha própria identidade, baseando-se, não unicamente, nas canções que admiro.
Há algum tempo já, ovui falar num novo tipo de música: o vocaloide. Esse novo estilo ainda é desconhecido da maioria hoje por razões provavelmente sociais. Baseia-se numa total digitaçização da música: nem o cantor é real, tudo é virtual e imaginário, diáfano e utópico. Procurando novas experimentações, buscando as sensações, os sentimentos, os paladares, olfatos, visões e sabores dessa nova forma de conceber música, decidi ouvir alguma música desse tipo.
Encontrá-la, incrivelmente, não foi difícil. Era japonesa, distante de um mundo inteiro, mas com a internet, reduziu-se a alguns segundos relativos ao carregamento do vídeo. A cantora virtual era bonita, diferente: mostrava um avatar, uma imagem provavelmente real da alma de muitas artistas. Era branca, sorriso estampado e longas e belas madeixas...verdes. Era uma cantilena romântica, a letra parecia melosa, mas valia a pena ao menos ouvir e experimentar.
Em miúdos, a música falava das emoções de uma mulher (ou seria uma menina) de ver o amante abandonando-a por outra. Ela, ao perceber essa situação, inconsolável e descrente de sua paixão, considera o amor uma eterna guerra, em que nunca se é feliz. Sua meta é monstrar ao seu amado todo o seu Amor para ele.
Primeiramente, acho que alguns já estão fartos de músicas, textos, roteiros, fimes sobre esse mesmo roteiro. Em segundo lugar, gostaria de ressaltar que a música, diferentemente de todas que ouvi, não tinha o fundamental: sentimento. A voz da vocaloide, além de ser exageradamente estridente, não tinha nenhuma variação. Seu ritmo era constante, entrecortado apenas por alguns fadeouts. Não mostrava a tempestuosidade da melodia, o gracejo da confusão. Era simplesmente uma estrutura programada e memorizada por um software. Posso estar enganado, mas realmente não senti qualquer tipo de êxtase ouvindo essa canção. Provavelmente, tal sensação de puro maquinismo musical se deve à tal tecnologia, a qual evolui nossa inteligência, entretanto nos leva ao quase total entorpecimento sentimental.
A existência de técnicas "pós-modernas", como os vocaloides e outras coisas do tipo, têm tornado a arte humana uma indústria cultural, impossibilitando-nos de sentir o âmago do amor e da dor. às vezes, nem mais religiosas das músicas, sequer temos sentido a essência divina*.
Não afirmo, porém, caro leitor, que o progresso tecnológico não seja proveitoso e preciso para nossa própria evolução filosófico-intelectual. Cabe à humanidade determinar aquilo que realmente lhe servirá para tais objetivos e aproveitar-se ao máximo disso. O resto, simplesmente é resto: se esvai com as feridas do tempo.
OBS: Essência divina foi um termo usado para ecumenizar o significado da divindade, tornando o texto mais religiosa e culturalmente aceito, evitando possíveis polêmicas. Aliás, basta de guerras santas ;D
Desde as mais primevas eras, fazemos música, seja de que forma for. Em todas as sociedades antigas, houve a presença da música. Os iorubás, ashantis, bantos, zulus e outros povos africanos fizeram largo uso dos beribaus, as guitarras africanas, e dos atabaques, de todos os tamanhos; música pra eles era o mesmo do que se encontrar com a essência do seu passado, clamar pela luz necessária para, pelo menos, iluminar o árduo caminho por eles enfrentados e comunicar-se com suas divindades. Os árabes, persas e os hindus, tão dispersos pelas suas inúmeras tribos, califados e impérios, faziam música para entreter, mostrar a beleza e exuberância de suas sociedades e criar uma identidade própria, uma marca que os diferenciaria. Os japoneses procuravam o prazer e o deleite proporcionados pelo Nirvana, com seus singelos tambores e instrumentos de corda. Os nativos americanos procuravam glorificar a exuberante natureza que os cercava, coisa que até hoje poucos compreendem tão bem quanto eles. Os europeus, por sua vez, punham sua história, seu pensamento, sua busca por Deus ou por algo equivalente em suas canções.
Exemplos, logo, é o que não faltam; ao contrário, sobram aos montes. O mundo, porém, desenvolve-se e com isso, surgem novas formas de se fazer música. Primeiro, a lógica invadiu esse âmbito da arte humana, trazendo consigo a exatidão do ritmo, do tom, das notas musicais, da temporização. Mais um pouco depois, a acústica invadiu esse campo, tornando capaz a fabricação e criação de novos instrumentos musicais, além de possibilitar uma melhor orquestração da mesma. Após isso, a elétrica e a eletrônica entraram em ação, tornando os instrumentos mais potentes e os amplificadores que permitem uma melhor divulgação do som musicado. Com a globalização, finalmente, foi possível transformar a música em bites e transportá-la pela internet, permitindo um melhor conhecimento dessa arte de todos nós.
Voltando às minhas próprias férias, quando possuo um maior tempo, fico fazendo dowloads de músicas, da mais comum à mais inusitadas e exóticas, em especial desses dois últimos tipos. Tenho prazer pelo desconhecido e busco construir a minha própria identidade, baseando-se, não unicamente, nas canções que admiro.
Há algum tempo já, ovui falar num novo tipo de música: o vocaloide. Esse novo estilo ainda é desconhecido da maioria hoje por razões provavelmente sociais. Baseia-se numa total digitaçização da música: nem o cantor é real, tudo é virtual e imaginário, diáfano e utópico. Procurando novas experimentações, buscando as sensações, os sentimentos, os paladares, olfatos, visões e sabores dessa nova forma de conceber música, decidi ouvir alguma música desse tipo.
Encontrá-la, incrivelmente, não foi difícil. Era japonesa, distante de um mundo inteiro, mas com a internet, reduziu-se a alguns segundos relativos ao carregamento do vídeo. A cantora virtual era bonita, diferente: mostrava um avatar, uma imagem provavelmente real da alma de muitas artistas. Era branca, sorriso estampado e longas e belas madeixas...verdes. Era uma cantilena romântica, a letra parecia melosa, mas valia a pena ao menos ouvir e experimentar.
Em miúdos, a música falava das emoções de uma mulher (ou seria uma menina) de ver o amante abandonando-a por outra. Ela, ao perceber essa situação, inconsolável e descrente de sua paixão, considera o amor uma eterna guerra, em que nunca se é feliz. Sua meta é monstrar ao seu amado todo o seu Amor para ele.
Primeiramente, acho que alguns já estão fartos de músicas, textos, roteiros, fimes sobre esse mesmo roteiro. Em segundo lugar, gostaria de ressaltar que a música, diferentemente de todas que ouvi, não tinha o fundamental: sentimento. A voz da vocaloide, além de ser exageradamente estridente, não tinha nenhuma variação. Seu ritmo era constante, entrecortado apenas por alguns fadeouts. Não mostrava a tempestuosidade da melodia, o gracejo da confusão. Era simplesmente uma estrutura programada e memorizada por um software. Posso estar enganado, mas realmente não senti qualquer tipo de êxtase ouvindo essa canção. Provavelmente, tal sensação de puro maquinismo musical se deve à tal tecnologia, a qual evolui nossa inteligência, entretanto nos leva ao quase total entorpecimento sentimental.
A existência de técnicas "pós-modernas", como os vocaloides e outras coisas do tipo, têm tornado a arte humana uma indústria cultural, impossibilitando-nos de sentir o âmago do amor e da dor. às vezes, nem mais religiosas das músicas, sequer temos sentido a essência divina*.
Não afirmo, porém, caro leitor, que o progresso tecnológico não seja proveitoso e preciso para nossa própria evolução filosófico-intelectual. Cabe à humanidade determinar aquilo que realmente lhe servirá para tais objetivos e aproveitar-se ao máximo disso. O resto, simplesmente é resto: se esvai com as feridas do tempo.
OBS: Essência divina foi um termo usado para ecumenizar o significado da divindade, tornando o texto mais religiosa e culturalmente aceito, evitando possíveis polêmicas. Aliás, basta de guerras santas ;D
A Fera Humana
Frutífero é o labor de educar
Mas a árvore onde se desenvolvem, porém
É frágil como a violeta do campo:
Seja no fulgor, seja na geada
Não resiste à menor das intempéries
Dor sinto ao ver a fronde daquele menino:
A inexpressão, a dor não sentida
O martírio mas doloroso, pois, é aquele
Que não se pode demonstrar.
Fogo que arde na mente,
Gélidas vozes, a cruciar
O fio fino da consciência a desfiar
Gritos, rangeres de dentes, uivos,
Grilhões, gemidos, suspiros
A Dor para quem a tem como
Melhor e única companhia
Fera loura e balofa
Filho das árias,
Que mataram os filhos de Isaac
Ouça o silêncio de nosso perdão
A serenidade de nossa distância
Mesmo que não compreendas aquilo que digo
Letras minhas escárnio não são,
Apenas se fazem como lamento de tanta dor
Que nem sabe como causaste
Responsabilidade nenhuma tens
Pelas pancadas dadas nela
És como nós:
Monstro e Anjo, mais o segundo que o primeiro
Não vês a lama em que estás chafurdado,
A dor que sentes pelos miasmas e nódulos,
Pelos bichos que saem de teu corpo?
Dor tão grande sentes,
E nós também passamos a sentir uma parcela da tua.
Malgrado o nosso bem-querer,
Teremos que conviver-lhe até o seu esvaecer
Dor, cruz que todos carregamos
Tanta sofreguidão nos faz
Mas traz os ventos esperançosos
Dos frutos vindouros da luz da harmonia.
Mas a árvore onde se desenvolvem, porém
É frágil como a violeta do campo:
Seja no fulgor, seja na geada
Não resiste à menor das intempéries
Dor sinto ao ver a fronde daquele menino:
A inexpressão, a dor não sentida
O martírio mas doloroso, pois, é aquele
Que não se pode demonstrar.
Fogo que arde na mente,
Gélidas vozes, a cruciar
O fio fino da consciência a desfiar
Gritos, rangeres de dentes, uivos,
Grilhões, gemidos, suspiros
A Dor para quem a tem como
Melhor e única companhia
Fera loura e balofa
Filho das árias,
Que mataram os filhos de Isaac
Ouça o silêncio de nosso perdão
A serenidade de nossa distância
Mesmo que não compreendas aquilo que digo
Letras minhas escárnio não são,
Apenas se fazem como lamento de tanta dor
Que nem sabe como causaste
Responsabilidade nenhuma tens
Pelas pancadas dadas nela
És como nós:
Monstro e Anjo, mais o segundo que o primeiro
Não vês a lama em que estás chafurdado,
A dor que sentes pelos miasmas e nódulos,
Pelos bichos que saem de teu corpo?
Dor tão grande sentes,
E nós também passamos a sentir uma parcela da tua.
Malgrado o nosso bem-querer,
Teremos que conviver-lhe até o seu esvaecer
Dor, cruz que todos carregamos
Tanta sofreguidão nos faz
Mas traz os ventos esperançosos
Dos frutos vindouros da luz da harmonia.
Mar Bravio
Insidiosas tormentas
Horizonte estreitado pelas espessas nuvens
Loucura fria, vinda do anil inferno
Glória fugaz, que leva e trás
As certezas e incertezas dessas vidas
Vidas essas surgidas da ópera impetuosa
De um mar em fúria
Sobre o mar, fortes espasmos elétricos
Provindas da agitação de leves moléculas
Na água fervente e agitada, átomos se desencontrando
A desarmonia que se tornara vida
Vida simples, tão irracional, tão calma
O tempo, porém, passou
Surgiram seres maiores, tiranos de cérebro felino
Cujo poder se emanava pelos berros e seus dentes e garras
Trevas, entretanto, obscureceram a vida desses répteis
Aparentemente fortes, mas frágeis.
Vivia a Terra numa calma natural
Estado de igualdade selvagem
Nem parecia que o ser mais brutal
Daquele solo fértil brotaria
Dos símios surgiria
Esse ser, tão inteligente e tempestuoso
Como pensamentos tão racionais
Puderam se tornar tão irracionais?
Como o amor, a sintonia máxima entre dois seres
Pôde ser tão corrompido pela posse?
É o instinto do mar
É a ligação que tais criaturas têm com sua origem primeva
Que perdoe o mais nobre autor da frase que dizia:
"Do pó voltará aquele que da terra veio."
Mas agora, o mais correto seria
Que de volta ao mar suas crias devem retornar
Horizonte estreitado pelas espessas nuvens
Loucura fria, vinda do anil inferno
Glória fugaz, que leva e trás
As certezas e incertezas dessas vidas
Vidas essas surgidas da ópera impetuosa
De um mar em fúria
Sobre o mar, fortes espasmos elétricos
Provindas da agitação de leves moléculas
Na água fervente e agitada, átomos se desencontrando
A desarmonia que se tornara vida
Vida simples, tão irracional, tão calma
O tempo, porém, passou
Surgiram seres maiores, tiranos de cérebro felino
Cujo poder se emanava pelos berros e seus dentes e garras
Trevas, entretanto, obscureceram a vida desses répteis
Aparentemente fortes, mas frágeis.
Vivia a Terra numa calma natural
Estado de igualdade selvagem
Nem parecia que o ser mais brutal
Daquele solo fértil brotaria
Dos símios surgiria
Esse ser, tão inteligente e tempestuoso
Como pensamentos tão racionais
Puderam se tornar tão irracionais?
Como o amor, a sintonia máxima entre dois seres
Pôde ser tão corrompido pela posse?
É o instinto do mar
É a ligação que tais criaturas têm com sua origem primeva
Que perdoe o mais nobre autor da frase que dizia:
"Do pó voltará aquele que da terra veio."
Mas agora, o mais correto seria
Que de volta ao mar suas crias devem retornar
Férreo Amor
Beleza essa que vejo da janela:
A luz esplendorosa do astro Rei
Ar tão puro, tão límpido, tão refrescante
Paisagem bonita, exuberante mata verde
Contrastando com o barulho da locomotiva
E você, ali do meu lado,
Bela que meus olhos marejava
Castanhos cabelos, pele perfeita
Olhos suaves, leve maquiagem
O cheiro da rosa dos seus poros exalando
Sangrando de deleite o ar que o absorvia
Lábios vermelhos carnudos,
Queria eu beijá-los,
Sorver a doçura do seu sorriso
Aprazer-me das curvas sinuosas de sua geometria
Passar minha mão por esse corpinho cálido
Sentir o ardor do abraço
Mais do que amor, fraternidade
Acariciar suas costas e seios,
Levemente queimados desse Sol
Quisera eu ter a sorte de falar com ela
Ouvir sua voz de veludo
Compreender toda aquela linguagem inteligente e voluptosa
"Acordai, homens, dos seus indecorosos sonhos!
Vê o pecado que cometem pensando em tais coisas
E andai para frente, avante!"
Ilusão a minha foi acreditar
Que havia alguém pra mim
Alguém tão formosa, mas tão distante
Enxergo o cinza das calçadas, o negro dos edifícios
E o verde-pálido das moitas
Cérebro imperfeito esse,
Não observa quão solitário
É o destino de seu usufrutuário.
A luz esplendorosa do astro Rei
Ar tão puro, tão límpido, tão refrescante
Paisagem bonita, exuberante mata verde
Contrastando com o barulho da locomotiva
E você, ali do meu lado,
Bela que meus olhos marejava
Castanhos cabelos, pele perfeita
Olhos suaves, leve maquiagem
O cheiro da rosa dos seus poros exalando
Sangrando de deleite o ar que o absorvia
Lábios vermelhos carnudos,
Queria eu beijá-los,
Sorver a doçura do seu sorriso
Aprazer-me das curvas sinuosas de sua geometria
Passar minha mão por esse corpinho cálido
Sentir o ardor do abraço
Mais do que amor, fraternidade
Acariciar suas costas e seios,
Levemente queimados desse Sol
Quisera eu ter a sorte de falar com ela
Ouvir sua voz de veludo
Compreender toda aquela linguagem inteligente e voluptosa
"Acordai, homens, dos seus indecorosos sonhos!
Vê o pecado que cometem pensando em tais coisas
E andai para frente, avante!"
Ilusão a minha foi acreditar
Que havia alguém pra mim
Alguém tão formosa, mas tão distante
Enxergo o cinza das calçadas, o negro dos edifícios
E o verde-pálido das moitas
Cérebro imperfeito esse,
Não observa quão solitário
É o destino de seu usufrutuário.
Imperceptível Ardor
Os que amam, pobres deles!
Ofuscados pelo mais ardente fogo da paixão
Que fumaça bastante levanta
E cinzas demais deixa pelo seu rastro destrutivo
- "Grandes paixões constroem a vida
Salva a destroçada vida
Purgatório daqueles pecadores!
Apaixonem-se, que é esse
O grande absinto da fraqueza carnal"
Mentira!
Abissais seres os que dizem isso
Nesto árido e estéril solo em que psiamos
Reinam a ambição, a obsessão, e o imediato prazer
Ridículos humanos!
Sempre desejar a morte do próximo, em vez de amá-lo.
- "Paixão, ardor invisível,
Sentimento máximo do nobre coração humano!
Acreditem no amor, pois salvá-los-á"
Farsa!
Não troque um sentimento tão harmonioso
Por outro tão vil e ardiloso
Como posso acreditar em algo tão ilusivo,
Tão morto, tão mortal?
- "São vocês tão pessismistas?
A paixão é natural,
Selvagem instinto humano
Sinta o ardor do sangue
Pulsa esse pelas suas artérias
Levando esse sentimento tão honrado
Para seu coração"
Dissimulações!
Ao mesmo tempo que sentimos o rubro calor
Vislumbramos o frio confortador do desencarne
Que se aproxima a cada Sol passado
Tudo que fala é pueril, fantasioso
Nada disso é real
E que assim seja sepultado
O sentimento mais vil da humanidade:
A paixão.
Ofuscados pelo mais ardente fogo da paixão
Que fumaça bastante levanta
E cinzas demais deixa pelo seu rastro destrutivo
- "Grandes paixões constroem a vida
Salva a destroçada vida
Purgatório daqueles pecadores!
Apaixonem-se, que é esse
O grande absinto da fraqueza carnal"
Mentira!
Abissais seres os que dizem isso
Nesto árido e estéril solo em que psiamos
Reinam a ambição, a obsessão, e o imediato prazer
Ridículos humanos!
Sempre desejar a morte do próximo, em vez de amá-lo.
- "Paixão, ardor invisível,
Sentimento máximo do nobre coração humano!
Acreditem no amor, pois salvá-los-á"
Farsa!
Não troque um sentimento tão harmonioso
Por outro tão vil e ardiloso
Como posso acreditar em algo tão ilusivo,
Tão morto, tão mortal?
- "São vocês tão pessismistas?
A paixão é natural,
Selvagem instinto humano
Sinta o ardor do sangue
Pulsa esse pelas suas artérias
Levando esse sentimento tão honrado
Para seu coração"
Dissimulações!
Ao mesmo tempo que sentimos o rubro calor
Vislumbramos o frio confortador do desencarne
Que se aproxima a cada Sol passado
Tudo que fala é pueril, fantasioso
Nada disso é real
E que assim seja sepultado
O sentimento mais vil da humanidade:
A paixão.
Essência Morta
Sorveis o vinho, ignorantes!!
Vidas mortas, trabalho excessivo
Mortificada carne pelo labor,
Recupere suas forças no
Alcoólico ócio
Acordais no domingo, mórbidos corpos
Assiti a reunão daqueles que devem ser santos
Motifiquem-se pelo pão Ilustrado
Daquele que parece nos ter deixado
Mas por nós sempre olha
Acreditai na propagada mentira
Famigerada pelos grilhões televisivos
Admirai as ilusivas luzes,
que ofuscam e cegam
Ríeis, do nada,
Daquela piada pueril,
Daquele falso beijo
Deixai ser alienados
Esqueçam do externo,
Importai-vos convosco mesmos
E sejais felizes,
sem nem mesmo saber
que seus corpos
São garrafas vazias
Do mais puro vinho.
Vidas mortas, trabalho excessivo
Mortificada carne pelo labor,
Recupere suas forças no
Alcoólico ócio
Acordais no domingo, mórbidos corpos
Assiti a reunão daqueles que devem ser santos
Motifiquem-se pelo pão Ilustrado
Daquele que parece nos ter deixado
Mas por nós sempre olha
Acreditai na propagada mentira
Famigerada pelos grilhões televisivos
Admirai as ilusivas luzes,
que ofuscam e cegam
Ríeis, do nada,
Daquela piada pueril,
Daquele falso beijo
Deixai ser alienados
Esqueçam do externo,
Importai-vos convosco mesmos
E sejais felizes,
sem nem mesmo saber
que seus corpos
São garrafas vazias
Do mais puro vinho.
