Um retorno

Sim, eu voltei. O tempo quis me castigar, mas estou de volta. Até quando eu não sobreviver.

Dias de Sanidade

A habilidade de voar foi valorizada
Mas voar é cair
Não há como sair do chão

É possível mergulhar, apenas
Imergir na profundez da mediocridade

Arrastando as correntes
Vamos vencendo
Com faces de derrotados
Com suspiros míseros
Com lágrimas pueris

Meu coração debate-se no peito
Ele quer sair, mas não pode

Observe aquele papagaio, menina
Dê o seu biscoitinho
Ele é feliz em sua mão

Mulher, jogue as sementes para o homem
Esse aí, que está na gaiola
Minhas brânquias não aguentam mais
Mergulhar nessa água

Tento ligar a tevê
Mas veja, ela sempre está ligada
O canal mostra a minha vida
E estou lá
Só assistindo

Ciente de tudo.

Escada de Incêndio

O peito pulsando
Os olhos avermelhando
Barulhos de pés batendo no chão
A vida sendo pisoteada
Lá, começam a murmurejar
Olhos bem abertos, disciplina ferrada
Naquele que finge falar
Pressão alta, pressão baixa
Variação barométrica bruta
Ninguém percebe a pressão do ar
Ninguém percebe a pressão do futuro
E a fome, cadê?
Foi ignorada.
E a dignidade, cadê?
Perdeu seu significado.
Uso e ab-Uso na terra dos homens
Crostas negras saindo pelos orifícios corporais
Sangue brotando dos nossos olhos
E ainda temos disposição
Para subir, idiotamente
As escadas de incêndio
E escapar do inferno abrasante lá embaixo

Agora, só consigo ver a altura e os outros pulando daqui
Me resta é olhar para baixo.

A Cidade das Pedras

Localizada numa região de vale, por onde passava sinuoso rio, por anos o que se conhecia por esse nome estava entregue ao estado da selvageria. Mata nativa, curso d’água preservado, coisa e tal. Mas isso foi em tempos tão remotos, que de tão claro o progresso da sociedade que hoje lá vive, não há qualquer registro fotográfico nem relatado. Homem ali não vivia, era área de pântano, logo área obscura.

Porém, a cidade começou a devorar tudo o que lhe vinha à frente, inclusive os rios que a mesma usufruía. O rio foi desviado, o cheiro do metano dissipou-se, o mato secou, os animais foram sumindo. Sobrou o acidente geográfico, que tornou aquela região que tinha se tornado um punhado de árvores pequenas e pasto num verdadeiro buraco. Mas a espécie que passou a dominar o ambiente, tal como num nicho ecológico, numa monogamia destrutiva e pouco consolidada com a natureza.

Os pioneiros em sua ocupação o fizeram de forma ilegal: eram invasores de áreas não aproveitadas por seus proprietários. O primeiro grupo de humanos que ali viveu vinha de uma sociedade com alto grau de hipermetropia. Não que os oculistas nem os poucos oftalmologistas da época fossem reis num império de cegos, mas o principal sintoma era identificado em todos: sabiam com nitidez o que ocorria com o outro, mas não sabiam o que lhes estava mais próximo. Não conseguiam enxergar as minúcias que se lhes espreitavam naquela vida. Bastava o julgamento de um dos afetados por tal doença para inúmeros fatos estivessem ligados a essa constatação. Principalmente os elementos mais altivos possuíam maior grau de desvio, enxergando até mesmo o invisível na obscuridade de suas visões.

Era uma sociedade praticamente cega, por não saber o que era luz. Dominavam homens capturados especialmente para fazerem o trabalho sujo, sem qualquer tipo de remuneração, vivendo presos às correntes e grilhões de ferro. Pior não era a prisão física, mas a visual: por elos invisíveis e inexoráveis, todos só conseguiam enxergar aquilo que lhes estava logo à frente.

Após séculos cativos, a classe mais excluída dessa sociedade consegue a sua libertação – jurídica, somente. Foi tudo um pouco mais de clareza de visão nos olhos adoentados, que pouco depois dessa libertação, foram embaçados pelos seus próprios donos. É porque os ex-escravos se viram obrigados a morar longe da bela cidade que se construía. Não tinham mais serventia para o senhorio quase cego.

À época da libertação dos escravos, um grupo de pessoas, cuja maioria usava camisas e calças verde-oliva e óculos Ray-ban pra disfarçar seus olhos caolhos, indignaram-se com tanta podridão e escuridão em que estavam metidos. Desejavam limpar toda a sujeira a partir da convicção de que estavam enxergando a luz. Derrubaram, então, o império de olhos claros e instauraram a república das cataratas. É porque, de tanto olharem para o Sol e forçarem outros a verem-no, o cristalino começou a se tornar opaco, e cada vez mais havia cegueira naquela terra.

O povo pobre, como o que tem morado no vale, tem sofrido ainda mais com o estigma da cegueira. A educação dos camisas verdes era forçosamente verdadeira, mas se ensinavam o povo a ler e escrever nas suas admirações acerca do Sol, faziam uma proeza. Acesso à cultura era inexistente. Festejos dos moradores eram raros, pois todos viviam para trabalhar, inclusive as crianças. A mania de limpeza dos então governantes começou a ser posta de lado. Era melhor fazer vista grossa, não enxergar essa população que se espreitava pelo vale inteiro.

Ainda puseram indústrias para impedir o crescimento do que consideravam um câncer. Somente duas estradas o alimentavam: uma de asfalto e a via férrea. Para o povo, eram a aspiração para a ida a um mundo melhor que o deles.

Os anos passavam, e a vista estava cada vez mais rígida e inútil. Aí, o vento que vinha de oeste trazia uma poeira branca, parecendo parte de uma pedra bonita. Alguns homens experimentaram, aspirando-o pela narina, e disseram ter enxergado claramente, durante poucos minutos. Queriam mais e mais. Os que os viam começaram a fazer um negócio lucrativo: a venda do pó. E classificavam de acordo com uma possível qualidade usando preços: pó de dois, pó de cinco, pó de dez, pó de vinte. Alguns da comunidade, por nada terem, preferiam ver as luzes brilhando em seus olhos do que as notas porcas e imundas em suas mãos calejadas.

As menininhas e os playboys do lado sul do vale iam até o lugar pra obter o pó milagroso. Diziam que um dos maiores sábios da mente o utilizava para entender a psique. O que não sabiam é que a partir de certa quantidade, o pó faz o coração acelerar, até parar de exaustão. Muitos morriam e ainda morrem, vendo a luz. No caso do pessoal do Sul, fizeram uma negociata para passar pontos de venda da poeira para lá. O vento também seria o responsável pelo transporte, além de pessoas, carros, motos e até kombis do governo.

Outra luz chegou até lá, em resposta ao pó. Um grupo que se considerava ex-admirador das propriedades terapêuticas do particulado criou uma comunidade religiosa simples, messiânica e fundamentalista. Dizia-se tirar demônios e curar urticárias da alma, e liam um livro surrado e bastante grosso, que seria o único em toda a vida deles. Carregavam-no para cima e para baixo, mas somente os homens o faziam, pondo-o debaixo da axila. Às mulheres cabia o papel de testemunhar a luz invisível e insensível e esconder seus belos corpos debaixo de vestidos longos.

A comunidade aumentou, explodiu para todas as partes da cidade, do estado, do país e até do mundo. Muitos enxergam a tal luz, mas devem entregar parte do que ganham para se sentirem curados de sua cegueira.

No final, todos morrem cegos.

Há poucos anos, juntaram o pó e transformaram em pedra. Põem-na em cachimbos e a fumam. São pessoas esquálidas, que nada tem além de seu corpo e a (in)certeza de que viu a luz. Vivem na miséria, mas acham que são felizes com uma pedra. Pena que a felicidade dura menos ainda do que o pó. O vale está repleto de pedras, pedregulhos e pedrinhas feitas daquele pó. Descobriram que ele vem dos Andes.

A igreja que começou sem sede própria, sem casa, hoje tem um templo faraônico, além de uma organização corporativa de dar inveja a muita empresa. E isso nos horizontes limitados de uma possível iluminação. Pessoas esquálidas que destinam grande parte de sua renda e pão pequenos aos donos do rebanho morrem ouvindo aquele conjunto de rezas, hipnotismos, e dizem também as luzes. O chato é que a felicidade é resultado de uma castração da liberdade. E as pedras também existem na igreja, mas são feitas de material menos especial e servem para atirar àqueles que possuem posições contrárias às deles.

Entre esses, encontra-se os que preferem viver nas sombras. Como eu, que todas as segundas pega um ônibus na parte oeste da cidade, rumando ao norte, passando pelo templo dos eternos cegos, que dizem enxergar uma nesga de luz fazendo compras, passando pelo templo maior da igreja, com pessoas que abrigam a bíblia no calor dos seus suvacos, saltando num bairro na descida do vale, onde tomo um metrô confortável(?), com ar-condicionado(?), panorâmico, com vidros fechados de onde os turistas cegos podem ver as pessoas fumando pedras lá embaixo, na linha férrea que segue para a baixada. Saltando na planície que anteciparia o mar aterrado pelos camisas verdes, vendo pessoas dormindo ao relento, enxergando as luzes em seus sonos.

Semana passada, disseram que os camisas negras, eternos defensores dos cegos, foram para o vale combater os vendedores de pedra e pó. Mas só conseguiram prender algumas pessoas, que foram logo libertadas. O que o povo sem visão quer é um espetáculo para enxergar. A igreja é constantemente acossada pela mídia, pelo povo e pela justiça cega. Ambos não se destroem completamente, apenas encontram outras formas de esclarecer as pessoas, em circunstâncias diferentes.

Esse é o cotidiano na cidade das pedras, um vale em que alguns preferem escalar a montanha frágil e escorregaria do pó, outros preferem escalar o monte Sinai e outros preferem ver tudo isso do viaduto do Metrô Rio, como num safári, em que pagam R$ 2,80.


A Migraine Afternoon

The glasses and plates are broken
Over here, in this old wood floor
The noise has been piercing
My whole ear canal
For some hours
The blood in my hands
Is still wet
My heart continues dry
My body is being an anarchy
Each one wants to go to a different way
But my brain is stopped
The voices make a mess in me
And the dishes are dirtying the floor
I saw flowers, but I could not give them to you
I've never been able to do nothing for you
My hands are wrapped in my memory
And my memory are broken.


Uma pequena brincadeira em Inglês.

O Pecado de Santa Clara

Dama do bem e do verdadeiro amor
Amaste tanto aqueles que em tua vida te repeliram
Mortificastes tua vida
Para acender uma pequena lamparina
Em meio a este planeta trevoso

Tu, que morrestes pelos pobres
Tu, que despiste teus abrilhantados vestidos
Tu, que conhecestes o prazer sádico dos homens ditosos
Tu, que foste a mais pura de ruindade na história deste orbe
Cometeste um grave erro

O homem, que nunca ser alado foi
Por inveja das belas aves de penas coloridas
Fez as suas asas do frio metal trabalhado
Clamaram para que clareasse o caminho
Daqueles que destinados a voar foram
Pela mesma humanidade trevosa que cuspiu
Em ambas as tuas faces

Isso fizestes, esses anos todos
Tua luz iluminou todos os pássaros de ferro
Em principal os que muito mataram
Com teu sopro divino, afastaste as intempéries
Dos cachorros que se consideram alados
E eles mataram, com suas bombas defecadas
Gente humilde como tu

Permitiste, sem ao menos concordar ou não
O desempenho de sustentar uma rede alienadora
Alimentaste, em teus seios repletos do alimento amoroso
Gente corrupta e desonesta,
Que dinheiro faz lobotomizando o próximo

Cadê a humanidade?
Cadê o amor?
Cadê a compreensão?
Cadê o altruísmo?
Nada resta nesta superfície estéril
A não ser o desafio de todo dia sobreviver
Ao que certos homens podem lançar do céu

Homem, ser injusto
Alma vazia de amor
Alma cheia de ardor
Pela sombra formada pela fogueira de Deus
Felizes as crianças,
Pois ainda não entendem o verdadeiro significado prático do amor.

Revolução no Brasil(?)

 Ninguém pode negar que 2011 começou bombando, em vários aspectos. Primeira mulher presidente no Brasil, Corinthians eliminado na primeira fase da libertadores, Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, Carnaval só em Março...e isso só em Janeiro. Sem falar em certos protestos que começaram concentrados em certas partes do planeta.
Muitos de nós, de alguma forma, sabemos o quanto a cultura islâmica tem se mostrado bastante fechada à ilusão de um novo mundo, globalizado. Durante toda a década que se passou, podemos ver, do plantão da Globo na hora da TV Globinho, em 11 de setembro de 2001, aos folhetins da Glória Perez das 21h, passando por inúmeras manchetes dos jornais globais, toda a influência do pensamento americano, dizendo que os árabes são um povo atrasado; que proíbem televisões nos países deles, organizam atentados terroristas no mundo inteiro, que subjugam as mulheres a um papel servil em pleno século XXI e que sempre sustentam governos autoritários, ditatoriais, anti-humanos, andando na contramão na cantilena preguiçosamente regida pelos maestros dos EUA.
Percebemos que o melhor era simplesmente seguir um padrão consumista de vida, nos entupirmos de computadores e redes sociais que borbulham por aí, de não dar a mínima para nossa própria cultura, e achar engraçado ver uma mulher cheia de véus em pleno verão carioca.
Mas esse mês de Janeiro deu uma prova do que é aquele povo que pensávamos ser mais ultrapassado que os nossos hábitos devastadores e inconsequentes. Populações de países islâmicos, não usando de um fundamentalismo cenográfico como aquele que nos é transmitido em grandes coberturas jornalísticas, perceberam que estavam literalmente pagando o pato pra manter esse modo de vida americano. E pior, usaram as redes criadas e financiadas pelos próprios americanos para promover seus protestos.
Tudo começou na Tunísia, país pequeno do Norte da África. Ninguém se lembrava do pobrezinho (de propósito?). Mas aí a mídia fez o favor de revelar a história desse país até então pouco conhecido. Grande produtor de petróleo, com um passado de ditaduras sustentadas por alguns países, visto a sua desatenção com os tais dos direitos humanos. Pronto, script de 99,9% de países árabes...xi, lá vem confusão. Pensaram que iam fazer o mesmo que no Irã, onde chegou o chefe religioso querendo tirar o fantochando do grande manda-chuva da época. Mas não, os muçulmanos eram religiosos sim, mas só queriam dignidade. Desejam eles um governo honesto, minimamente democrático que seja, mas que seja capaz de dar-lhes voz, emprego e prosperidade. Conseguiram fazer com que o ditador de mais de duas décadas fugisse para bem longe dali, junto com a família inteira, tirando-o do poder. Claro, a fuga tava fora das intenções deles, queriam ver o cara e a família corrupta dele pagar por anos de penúria do povo tunisiano. Justo, não?
Aí, o medo foi se espalhando. A Jordânia começou a adular o seu povo, que se sentiu satisfeito. A democracia, mesmo com um Rei, aumentou um pouquinho. A sorte de não estar em crise grave impediu que a cabeça do soberano rolasse. Na Arábia Saudita, há ainda muito a caminhar: o rei ainda é absoluto, a população ainda vive na penúria, contrastando com os palácios dos sheiks. No Iêmen, periguinho: começaram a protestar contra o presidente-ditador, governando por mais de vinte anos, e a população em estado deplorável, sendo esse um dos países mais pobres e dependentes da região árabe. No Egito, a situação mais séria, que teve maior repercussão do que o caso na Tunísia.
Curioso pra mim é que as situações dos dois países é bem parecida. Ditaduras que chegam a três décadas, corrupção na pauta, favorecimento dos parentes e compadres, pobreza geral, mesmo sendo maiores economias da África e produtoras de petróleo não filiadas a OPEP. Talvez haja alguns agravantes no caso egípcio. Aliás, tratamos de um das mais antigas civilizações, que passou por várias roupagens religiosas e culturais, com atrações turísticas bastantes famosas. Além disso, não vamos esquecer da importância dos acordos do ditador egípcio com EUA e Israel, o que deixa a parada mas tensa, passando do ponto de fervura.
Depois de uma semana de protesto, com mortos, feridos, milhares acampados no meio da rua, a história vai virar uma verdadeira novela, literalmente das oito e meia, entre a das 19h e a das 21h. O ditador nega-se a largar o poder, mesmo sabendo que já está lascado. Talvez queira virar herói, mas todos o consideram vilão. No mundo inteiro começam os protestos em apoio ao movimento popular (não bolchevique, não fundamentalista, não marxista) egípcio. Alguns fazem isso de boa vontade, outros veem interesses de "expandir a democracia por meio de um 'soft Power'". Normal.
Enquanto isso, no Brasil, nada de novo. Faz tempo que não vemos uma grande manifestação. Chamam-nos de povo pacífico. Eu acho que somos um povo desarticulado e com medo do poder. Ainda estamos sob um absolutismo, anacrônico. Ainda temos um poder centralizado, pouco discutido. No máximo, xingamos aqueles que nós mesmos elegemos e tornamos política uma chacota. Temos os mesmos problemas dos islâmicos, em menor grau. Não vivemos mais em situações apertadas, em que nem podemos confiar na poupança. Porém, temos um dos governos mais corruptos do mundo, mesmo colocando boas personalidades na presidência. Tratamos parlamentares como nobres, e a antiga família real brasileira, uma mistura de Bragança, Bourbon e Habsburgo, ainda tem que ralar muito (pouco) para conseguir seu pão (brioche) de cada cada dia. Sem depender de pensão vitalícia.
Sem ir longe, nossos parlamentares aprovaram um aumento de 13 mil para si próprios, e tá sendo um parto conseguir um aumento de 15 reais no mínimo. A oposição brasileira, ou não entende o povo e prefere ser macaco de imitação, ou tá às voltas com teorias marxistas do século XIX. Representando o meu estado do Rio de Janeiro, um deputado, ex-jogador de futebol com fama internacional, e em situação econômica deprimente se elege deputado federal, dorme na sessão de apresentação aos calouros da câmara, bate o ponto da primeira sessão e volta pro Rio pra jogar futevôlei na praia da Barra. Outro, ex-aliado de gente podre que domina um reduto eleitoral em Campos, duramente afetado por periódicas tempestades e moralista ferrenho, contra propostas que poderiam melhorar os direitos humanos no Brasil, consegue uma vaga no plenário e uma indicação para o diretor de uma grande estatal de energia elétrica. Escolhe um corrupto, aliado seu em trambicagens, e arranja confusão numa política sensível e frágil. E o povo brasileiro prefere seguir o Luciano Huck no facebook.
Sem mais,.....
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